A escassez de mão de obra qualificada é um problema que tem se tornado cada vez mais frequente nos últimos anos. De acordo com estudos, aproximadamente 387 mil vagas nos setores de artesanato e impressão precisarão ser preenchidas entre 2022 e 2035. A cada ano, mais profissionais experientes se aposentam do que novos talentos ingressam no mercado. Não devemos enxergar isso apenas como a saída de um colaborador: se sua expertise não for transferida adequadamente, um conhecimento valioso vai embora junto com ele. Isso pode resultar em longos períodos de parada, desperdícios e inconsistências, tornando-se um problema muito maior do que simplesmente ter um funcionário a menos.
Em um mundo repleto de novas oportunidades de modernização, as expectativas da força de trabalho mais jovem estão mudando. O trabalho no setor industrial é frequentemente visto como “sujo”, e a execução de tarefas repetitivas e rotineiras é percebida como algo monótono e pouco recompensador.
A indústria gráfica enfrenta ainda um desafio adicional: a visibilidade. Mesmo que os problemas mencionados acima fossem resolvidos perfeitamente, muitos jovens que desejam ingressar na indústria de manufatura sequer sabem que a impressão é uma opção de carreira a ser considerada.
Portanto, existem três desafios interligados:
• preservar o conhecimento da força de trabalho experiente;
• atrair novos talentos; e
• reduzir a dependência da expertise individual por meio da padronização e da automação.
Esta série de artigos examina cada um desses desafios separadamente.
Quando o conhecimento sai pela porta
As consequências da escassez de mão de obra qualificada não se limitam a ter menos funcionários na produção. Se não forem tratadas, elas podem desencadear uma longa cadeia de consequências.
Tudo começa quando um colaborador experiente deixa a empresa levando seu conhecimento com ele. Isso faz com que o novo funcionário precise redescobrir, por tentativa e erro, coisas que antes já eram conhecidas. A partir daí, as consequências podem ser divididas em duas categorias: o impacto nas operações e o impacto nas pessoas. Não conseguir reter o conhecimento dos funcionários experientes pode sobrecarregar o tempo e os recursos da equipe restante, criando diversos gargalos nos processos.
Sem o conhecimento adequado, os novos colaboradores trabalham mais lentamente e podem ficar frustrados ou perder a confiança. Isso pode tornar mais difícil mantê-los na empresa.
Preservando o conhecimento da sua sala de tintas
Graças aos anos de experiência, os colaboradores mais experientes possuem o conhecimento necessário para lidar com diversas situações, como correções de cor na impressora ou o gerenciamento de tintas de retorno da máquina. Muitas dessas pequenas parcelas de conhecimento normalmente não são adequadamente documentadas nos sistemas internos. Isso significa que essas informações serão perdidas e precisarão ser reaprendidas quando o colaborador experiente deixar a empresa.
Um sistema dedicado de gestão do conhecimento, com instruções de trabalho e procedimentos, é essencial, pois normalmente não é possível transmitir cada pequeno detalhe durante o curto período de integração de um novo colaborador.
A sala de tintas normalmente combina equipamentos como um sistema de dosagem de tintas, sistema de provas de cor, espectrofotômetro e estruturas de armazenamento de tintas retornadas da produção com softwares para gestão de tintas, medição de cor e formulação.
A imagem abaixo mostra a relação entre hardware e software e como a falta de conhecimento para combinar ambos resulta em oportunidades e recursos desperdiçados.

A interseção representa a expertise que o operador precisa ter para utilizar plenamente os recursos disponíveis. Alcançar a máxima sobreposição depende de registrar o máximo possível do conhecimento dos operadores experientes. Isso é necessário tanto para reduzir desperdícios quanto para evitar a frustração do operador que precisa constantemente “correr atrás do prejuízo” para atingir o nível de seu antecessor.
Criando uma base para treinar novos talentos
Guias detalhados com procedimentos padronizados ajudam os colaboradores a utilizar de forma consistente o hardware e o software da sala de tintas.
A GSE oferece uma ampla variedade de recursos para o desenvolvimento de instruções de trabalho e Procedimentos Operacionais Padrão (POPs). Para o hardware, a GSE fornece manuais completos de usuário e uma ferramenta de realidade aumentada que apresenta os equipamentos e seu papel dentro da sala de tintas.
O blog InkConnection também oferece orientações práticas, incluindo:
- Housekeeping and cleaning essentials for your ink room
- Equipment maintenance for food-safe packaging printing
- Calibration and control of measuring devices
A GSE também oferece diversos recursos de suporte para software. Um exemplo é a função de ajuda integrada do GSE Ink Manager, que abre uma página de suporte baseada na web relacionada à tela que o usuário está visualizando.
O blog InkConnection também disponibiliza orientações passo a passo sobre o uso dos softwares da GSE, incluindo:
- Advanced techniques for efficient return ink management in packaging printing
- Meeting quality standards for packaging inks with GSE Traceability
- Creating and adapting spot colours — made simple for package printers!
Esses recursos podem ser complementados com conhecimentos específicos da empresa para ajudar novos colaboradores a lidar com situações que vão além dos procedimentos padrão.
Documentar esse conhecimento também evita que uma expertise valiosa seja perdida quando um funcionário experiente se aposenta ou deixa seu cargo inesperadamente.
Esses guias continuam sendo úteis desde o onboarding até as fases iniciais e intermediárias da carreira de um colaborador. Durante a integração, eles funcionam como um checklist para garantir que todo o conhecimento essencial seja abordado. Posteriormente, os colaboradores podem utilizá-los como material de consulta para informações que tenham esquecido ou que inicialmente não precisaram aprender.
Abordagens estruturadas para uma integração eficiente
Em última análise, esses guias devem servir apenas como uma ferramenta de apoio aos colaboradores experientes durante o processo de integração. Os novos funcionários devem passar por um programa abrangente de onboarding composto pelos seguintes elementos:
• Fase de introdução: Uma boa introdução deve permitir que o novo colaborador interaja com os processos padronizados de maneira envolvente, conectando-os às suas experiências anteriores e aos conhecimentos adquiridos durante sua formação.
• Fase de acompanhamento: O novo colaborador passa um período ao lado de um colega experiente, observando como o trabalho é realizado na prática e absorvendo detalhes, dicas e técnicas que muitas vezes só são aprendidos por meio da experiência.
• Fase de prática: Após adquirir uma compreensão básica dos processos da sala de tintas, o responsável pelo treinamento e o novo colaborador devem inverter os papéis. O novo funcionário tem a oportunidade de colocar em prática o conhecimento adquirido, ganhar experiência prática e receber feedback do instrutor, enquanto utiliza o guia de onboarding como material de apoio.
A GSE oferece diversos serviços de treinamento que explicam detalhadamente cada aspecto da operação e manutenção dos equipamentos, além de um guia aprofundado sobre o uso do software Ink Manager. Esses treinamentos também devem ser complementados por reciclagens periódicas para reforçar os conhecimentos e garantir que os operadores estejam cientes de eventuais mudanças.
Combinar treinamento estruturado com feedback regular e oportunidades significativas de desenvolvimento cria um ambiente estimulante, onde os novos colaboradores desejam permanecer e evoluir. Isso também ajuda a evitar desperdícios desnecessários causados pela falta de atenção a detalhes importantes durante o processo de integração.
Fique atento aos nossos próximos artigos para descobrir mais dicas e boas práticas sobre como se conectar melhor com novos talentos em potencial, bem como formas de aproveitar a padronização e a automação para fazer mais com menos!







